Febre Amarela muda a rotina no interior

Devido à grande procura, a vacina da febre amarela acabou nesta semana nas cidades da região. Arujá, Igaratá e Santa Isabel testemunharam a migração de diversos moradores de cidades maiores e com mais recursos procurando atendimento no interior, onde o atendimento tem sido considerado mais humanizado e de mais qualidade. Estado garante que mais dos

Saúde Em 19/01/2018 19:09:50

por Bruno Martins e Gabriel Dias

 

Santa Isabel foi referência

Arujá, Igaratá, Itaquaquecetuba, Guarulhos, São Paulo, Mauá, foi grande o número de moradores de outras cidades que vieram nesta semana para Santa Isabel. Todos eles tinham um único objetivo: vacinarem-se contra a febre amarela. Tamanha procura fez com que na quinta-feira, 18/01, esgotasse por completo a vacina da cidade. A secretaria Municipal de Saúde aguarda que mais doses cheguem do governo do Estado para que a população restante seja imunizada. Ao todo 56 mil pessoas já foram vacinadas em Santa Isabel. 

Os moradores de outras cidades afirmam que em seus municípios de origem até tem vacina, mas para conseguir se imunizar eles são obrigados a enfrentar horas de fila: “Estão exigindo comprovante de residência, com isso você passa a madrugada na fila e mesmo assim corre o risco de ficar sem vacina”, disse Jonathas Figueiredo morador de Itaquaquecetuba, vacinado em Santa Isabel.

Com o abrupto aumento da demanda, as doses de Santa Isabel foram se esgotando o que, inclusive, obrigou a secretaria de Saúde a distribuir senhas e limitar a vacinação por unidades, a fim de evitar confusão. Cada unidade de Estratégia e Saúde da Família (ESF) recebeu por dia 500 doses da vacina, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) foram mil doses diárias e no posto volante da Praça Fernando Lopes teve uma média de mil, chegando a 2.500 doses aplicadas só na quinta-feira, 18/01. 

Acabou a vacina: Santa Isabel pede mais

Em entrevista ao vivo ao Jornal Ouvidor nesta semana, o secretário de Saúde de Santa Isabel Cleber Vinicius Kerchnner comentou sobre a campanha ter completado exatos 60 dias de oferta da vacina na cidade. A Secretaria registrou 56 mil doses aplicadas na cidade: “Atingimos a meta estipulada pelo Ministério da Saúde (MS), mas devido a procura regional da vacina em nossa cidade esgotamos por completo todo nosso estoque. Vou procurar o Estado e acredito que ele nos fornecerá mais doses, pois ainda há uma parcela da população que não se vacinou”, disse Cléber. 

Nesta semana o secretário esteve no Grupo da Vigilância Epidemiológica (GVE) de Mogi das Cruzes a procura de mais doses da vacina. Cléber ouviu muitos elogios dos dirigentes da GVE que parabenizaram as ações que Santa Isabel tem realizado a fim de garantir a vacinação a todos, sem exceção de ser ou não morador da cidade.  

Exigências para vacinação podem ser ilegais 

O Jornal Ouvidor promoveu nesta semana um debate sobre as exigências que muitos municípios da região adotaram para aplicar a vacina. Arujá e Igaratá por exemplo, só aplicam a vacina contra a febre amarela em pessoas que comprovam a residência no município. No entendimento da lei, o advogado e especialista em direito de gestão pública, Dr. Anderson Bueno, esclarece que caso não haja uma comprovação legal que garanta essa exigência, o município precisa respeitar as determinações do próprio Sistema Único de Saúde (SUS) de garantir o acesso a saúde a todos sem exceção. 

Na página oficial do Jornal Ouvidor no Facebook você confere a entrevista completa com Dr. Anderson e especialistas da saúde, sobre o tema.

Igaratá já vacinou além da sua população 

O município de Igaratá, que na semana passada confirmou um óbito de um macaco por febre amarela, no Bairro Boa Vista, afirma que já vacinou 11 mil pessoas. O número até poderia garantir a imunização por completo do município, uma vez que de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) a cidade possui 9.433 habitantes. Mas de acordo com a secretaria de Saúde do município, ainda há igarataenses que não se vacinaram, e que, portanto, mais doses deverão ser enviadas para a cidade.

Igaratá será o único município da região, entre outros 52 no estado de São Paulo, a obrigatoriamente ter que fazer a Campanha de doses fracionadas da vacina que terá início no próximo dia 25/01, devendo terminar em 17/02. De acordo com a secretaria Estadual de Saúde, a determinação para a campanha a essas cidades foi feita, pois elas estão mais próximas das áreas silvestres, onde há grande circulação do vírus.  

“A dose fracionada é composta por apenas 0,1 ml e garante a imunização por oito anos, enquanto a convencional, que está sendo atualmente aplicada nas cidades, tem 0,5 ml e garantia de imunização por toda a vida”, explicou a Secretaria. 

Vacinação continua em Arujá

Na última terça-feira, 16/01, o estoque de 60 mil vacinas contra a febre amarela se esgotou em Arujá. Na parte da manhã, quem ainda não tinha vacinado recebeu a informação de que apenas a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Centro, ainda contava com algumas doses. 

Ainda assim, aparentemente aborrecida, uma funcionária distribuía senhas na entrada da UBS destacando que seriam disponibilizadas somente 900 vacinas neste dia. A fila de espera pela imunização chegou a dar a volta no posto. Quem aguardava atendimento reclamava da triagem que solicitava além da documentação com foto (RG), a apresentação do comprovante de residência em Arujá.

Nesta quarta-feira, 17/01, segundo a Secretaria de Saúde de Arujá, o grupo de Vigilância Epidemiológica encaminhou ao município mais 13 mil doses da vacina. “Até terça-feira imunizamos cerca de 58 mil pessoas, mas não temos perspectiva de quantas pessoas ainda precisam ser vacinadas, a meta é estipulada pelo Estado e não pelo município”, informa.

Segundo a Secretaria de Saúde, pedir comprovante de residência é uma orientação do Grupo de Vigilância Epidemiológica Estadual. “E as senhas são uma estratégia de organização da fila de espera”, diz.

Fila de Espera

No posto central, uma mulher que não quis se identificar disse que ficou mais de quatro horas na fila com o esposo. “Chegamos as 8h, já é meio dia e ainda não fomos vacinados. Há boatos que nas unidades básicas de saúde as vacinam já acabaram. O difícil é ficar aqui esperando todo esse tempo e ainda ter que comprovar de onde você é”, lamenta.

No início da tarde, uma jovem que também estava na fila, diz que esperou três horas para ser vacinada, já sua mãe, cerca de cinco horas.

Arujá e Santa Isabel informam que nenhum macaco foi encontrado morto em seus municípios e as três cidades, incluindo Igaratá, garantem que não há notificação de casos da doença em humanos.

Em relação as regras de vacinação, pessoas infectadas por HIV/Aids, gestantes e pessoas com alergia a composição da vacina não podem ser vacinadas.