Santa Isabel, 3 de Setembro de 2010 - Edição n° 784
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SÓ RINDO PRA VOTAR

Honestamente, não entendo porque em 2010, a Justiça Eleitoral resolver fazer valer, realmente, uma Lei do século passado que determina a ausência de sátiras sobre os políticos brasileiros em épocas de eleição.
No fundo, creio que com a liberação pelo Supremo Tribunal Federal ocorrida na última quinta feira, os políticos podem mesmo é sentir-se oprimidos pela concorrência humorística dos profissionais. Para rir, ou chorar, hoje, basta ligar a televisão no horário cedido para a Propaganda Eleitoral.
Entre os candidatos é possível encontrar: o que se diz elegível por ser o “abestado”; a mulher que quer ser eleita porque é fruta, o lutador que mal sabe o que veio dizer, os herdeiros de Clodovil que na falta de propostas levantam a bandeira e gritam bem alto: “Vote em mim, porque eu nunca dormi no armário”.
E não é só isso, entre os candidatos existem e se multiplicam as réplicas do CQC, programa de televisão que foi, até liberação do STF, censurado. Os políticos que copiam as frases de efeito do programa, ou que salientam como currículo, que já foram aprovados pela equipe do CQC, mais de uma vez.
E todos estes argumentos escabrosos são usados como linha de frente de uma suposta capacitação para ajudar a conduzir uma nação.
Para quem não viu, aconselho: Veja a Propaganda Eleitoral. É o exemplo claro de como a comédia possui, muitas vezes, uma linha tênue que a separa da tragédia. Pois do riso que decorava meu rosto ao me deparar com a escandalosa apresentação de cada candidato, veio a vontade de pranto, da sensação opressora de não ter escapatória.
No fim, lembrei dos tempos de sala de aula, quando lecionava. No meu segundo ano letivo, uma das diretoras me chamou na sala dela e disse: “Desista, você não vai mudar o sistema. As coisas só mudarão quando os estudantes passarem a exigir seus direitos de acesso à boa educação”. Esta conversa foi decisiva na minha decisão de mudar de profissão.
Mas o que esse conselho tem a ver com o processo eleitoral? As coisas só vão mudar, de verdade, quando o eleitor passar a exigir seus direitos. Quando este tempo vier, e tenho fé que um dia virá, o candidato será definitivamente representante da vontade do povo, com propostas definitivas, fichas absolutamente limpas e discursos condizentes com o de quem quer administrar ou legislar no Brasil.
Daí, quem sabe, a Propaganda Eleitoral Gratuita não será mais motivo nem de riso, nem de desalento, mas de apresentação de propostas que venham de fato ao encontro dos interesses da população e que sirvam de fato para fazer um país melhor.

Érica Alcântara




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